Publicidade Médica: o Que Pode e o Que Não Pode

9 de ago. de 20266 min de leituraNew Glance

Publicidade médica mudou: o que a Resolução CFM 2.336/2023 libera

Por anos, médicos e clínicas trataram marketing como campo minado. A Resolução CFM nº 2.336/2023, em vigor desde 2024, atualizou as regras e liberou pontos que antes eram vetados. Isso não significa liberdade total — significa que dá para anunciar com mais clareza, desde que dentro de critérios específicos. Este artigo explica o que pode, o que não pode, e como estruturar tráfego pago sem risco de notificação do conselho.

Vale um alerta antes de continuar: este conteúdo é informativo e reflete nossa leitura da norma até a data de publicação. Conselhos regionais podem ter interpretações locais, e resoluções são atualizadas. Confirme sempre com o CRM da sua região antes de publicar qualquer peça.

O que passou a ser permitido

A resolução trouxe avanços que facilitam a comunicação de clínicas e consultórios:

  • Divulgar preços e formas de pagamento, mas apenas em canais próprios do profissional ou da clínica (site, WhatsApp Business, redes sociais oficiais) — não em anúncios de terceiros sem controle editorial.
  • Mostrar imagens de antes e depois, mas só cumprindo TODOS os critérios da Resolução 2.336/2023: paciente não identificável (com autorização formal), imagem acompanhada de texto educativo, apresentando também evoluções insatisfatórias e possíveis complicações, dentro da sua especialidade registrada, e sem edição que exagere o resultado. Cumprir só parte desses critérios ainda configura infração — na dúvida, confirme o caso concreto com o seu conselho.
  • Citar equipamentos e tecnologias utilizados no procedimento, desde que o uso seja real e o equipamento tenha registro na Anvisa quando aplicável.
  • Informar a especialidade e área de atuação com base no registro no CRM, o que ajuda diretamente na segmentação de campanhas por especialidade e por região.

Essa flexibilização abre espaço para um tráfego pago mais direto: campanhas que informam especialidade, localização e forma de agendamento têm hoje respaldo que não existia claramente antes de 2024.

O que continua proibido

A lista de vedações não mudou na essência — ela é a espinha dorsal da ética médica em comunicação:

  • Sensacionalismo e promessa de resultado. Frases como "elimine a gordura para sempre" ou "resultado garantido" seguem proibidas, porque criam expectativa que a medicina não pode assegurar.
  • Autopromoção comparativa. Dizer que é "o melhor" ou "referência nacional" sem comprovação objetiva é vedado.
  • Selfie ou imagem durante procedimento cirúrgico ou invasivo, mesmo em bastidores ou stories.
  • Depoimento de paciente sobre resultado clínico usado como prova de eficácia, especialmente em anúncios pagos.
  • Uso de termos apelativos como "revolucionário", "milagroso" ou "definitivo" para descrever tratamentos.
  • Anunciar procedimentos fora da especialidade registrada no CRM.

Essas restrições valem tanto para posts orgânicos quanto para campanhas pagas — e no Google Ads ou Meta Ads, o time de compliance das próprias plataformas também pode reprovar peças com esse tipo de linguagem, independente da fiscalização do conselho.

Como estruturar tráfego pago dentro das regras

O caminho seguro é focar em informação, não em promessa. Isso funciona bem, inclusive, porque usuários que buscam serviços de saúde já pesquisam com intenção mais racional. Alguns pontos práticos:

  • Anuncie especialidade + localização. "Cardiologista em Curitiba, atendimento particular e convênios" é uma peça informativa e permitida. É também, na prática, a base do tráfego pago para serviços locais, que funciona bem para clínicas com atendimento presencial.
  • Direcione para canais próprios. Landing pages e perfis oficiais são onde preços, fotos de antes/depois e equipamentos podem aparecer com controle editorial total.
  • Use remarketing com cautela. Reimpactar quem já visitou o site é uma prática de eficiência — veja como funciona o remarketing — mas o criativo reimpactado precisa seguir as mesmas regras de qualquer outro anúncio, sem intensificar promessas.
  • Evite depoimentos como prova social em anúncio. Prefira comunicar processo, cuidado e infraestrutura da clínica.
  • Documente a aprovação do RT. Toda peça publicitária deveria passar pelo responsável técnico antes de ir ao ar.

A responsabilidade do RT (responsável técnico)

O RT responde legalmente pela publicidade da clínica, mesmo quando quem cria e sobe os anúncios é uma agência ou um funcionário de marketing. Isso muda a forma como o processo deveria funcionar internamente:

  • Toda peça — imagem, vídeo, texto de anúncio — passa por aprovação do RT antes da veiculação.
  • Fica registrado quem aprovou e quando, para eventual defesa em caso de notificação.
  • A agência ou o gestor de tráfego pode (e deve) sinalizar riscos, mas a decisão final e a responsabilidade ética são do profissional.

Isso não é burocracia sem sentido: notificações do CRM por publicidade irregular podem gerar advertência, multa e, em casos recorrentes, processo ético. Vale mais investir um pouco mais de tempo na revisão do que arriscar a autuação.

Onde o tráfego pago realmente ajuda

Dentro dessas regras, tráfego pago para clínicas continua sendo um dos canais mais eficientes para gerar agendamento, porque permite segmentar por especialidade, raio geográfico e intenção de busca — sem depender de indicação boca a boca. Para clínicas e consultórios, vale entender como funciona o tráfego pago para clínicas e quanto costuma ser necessário investir para gerar volume de agendamentos de forma consistente.

Perguntas frequentes

Posso divulgar preço de consulta ou procedimento no Instagram da clínica?

Sim, desde que seja no perfil oficial da clínica ou do profissional — canal próprio, com controle editorial direto. A resolução não permite divulgar preços em anúncios veiculados por terceiros sem esse controle.

Foto de antes e depois pode aparecer em anúncio pago?

Pode, mas os critérios da Resolução 2.336/2023 são exigentes: paciente não identificável e com autorização formal, imagem com texto educativo, apresentando também evoluções insatisfatórias e possíveis complicações, dentro da especialidade registrada e sem edição que exagere o resultado. E o anúncio jamais pode prometer que o mesmo resultado se repetirá para outro paciente. Por serem regras que mudam de interpretação por conselho regional, confirme cada caso com o seu CRM.

Depoimento de paciente satisfeito pode ser usado como anúncio?

Depoimentos que atestam eficácia clínica de tratamento são vedados como prova de resultado. É mais seguro comunicar estrutura, especialidade e processo de atendimento do que usar a fala do paciente como argumento de venda.

Quem responde se um anúncio da clínica for considerado irregular pelo conselho?

O responsável técnico (RT) responde legalmente pela publicidade, mesmo que a peça tenha sido criada por uma agência ou por um funcionário de marketing. Por isso toda peça deveria passar por aprovação formal do RT antes de ir ao ar.

Se sua clínica quer estruturar campanhas de tráfego pago dentro das regras do CFM, com peças revisadas e foco em geração de agendamentos, solicite um orçamento e conversamos sobre o cenário da sua especialidade.

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